Impactos da terceirização da infância na formação do apego
Fecha
2025-12-05Autor
Bento, Gabriela Masotti
Orientador
Maggi, Alice
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Este estudo teve como objetivo compreender os impactos da terceirização da infância na formação do apego na primeira infância, reconhecendo o fenômeno como expressão das transformações sociais, afetivas e econômicas da contemporaneidade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, desenvolvida por meio de uma revisão integrativa da literatura, que possibilitou reunir e sintetizar produções teóricas e empíricas relacionadas à infância, à teoria do apego e à terceirização do cuidado infantil. A busca foi realizada nas bases SciELO, PePSIC e Portal de Periódicos da CAPES, entre os anos de 2005 e 2025, utilizando descritores voltados à primeira infância, formação do apego e terceirização do cuidado infantil, além de busca por estudos de autores clássicos como John Bowlby e Mary Ainsworth. Para compor os resultados, foram analisadas onze produções científicas, incluindo artigos teóricos ou de revisão, estudos de caso clínico, estudos exploratórios, capítulos de livro e relatórios institucionais de relevância nacional. Para a análise foi utilizada a síntese narrativa, com categorização temática em três eixos centrais, infância, apego e terceirização, articulados ao referencial teórico da Teoria do Apego de John Bowlby e Mary Ainsworth. A extração dos dados foi conduzida por meio de um instrumento padronizado, adaptado de Souza, Silva e Carvalho (2010), contemplando título, autores, ano, síntese e categoria temática, a fim de garantir organização, coerência e rastreabilidade dos achados. Os resultados indicaram que a presença afetiva e responsiva dos cuidadores constitui o principal fator protetivo para a formação de vínculos seguros, enquanto a terceirização do cuidado infantil, quando desvinculada de práticas afetivas consistentes, tende a fragilizar a base emocional da criança. Observou-se que o impacto do cuidado delegado depende menos da configuração familiar e mais da qualidade e continuidade das relações estabelecidas entre os diferentes cuidadores. Conclui-se que a terceirização da infância não é, por si só, prejudicial, mas requer práticas mediadas por afeto, previsibilidade e presença emocional. Como contribuição prática, o estudo oferece subsídios para diretrizes de cuidado compartilhado que priorizem vínculos estáveis e responsivos, com estratégias de alinhamento entre pais e cuidadores, protocolos de transição/acolhimento e monitoramento de indicadores socioemocionais. Como limitação, destaca-se o caráter predominantemente teórico da pesquisa e a escassez de estudos empíricos nacionais que abordem a terceirização da infância sob a perspectiva da Psicologia do Desenvolvimento e da Teoria do Apego, o que impõe cautela na generalização dos achados. Sugere-se, para pesquisas futuras, a realização de estudos empíricos e longitudinais, incluindo entrevistas com pais, cuidadores e professores, que aprofundem, no contexto brasileiro, os efeitos emocionais e relacionais da terceirização e subsidiem políticas públicas e práticas profissionais voltadas à promoção de vínculos seguros e à valorização do cuidado na primeira infância. [resumo fornecido pelo autor]
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- Psicologia - Bacharelado [285]
