Heranças invisíveis: transmissão psíquica e fragmentação do eu na psicose
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Date
2025-12-08Author
Haas, Tábata Rech
Orientador
Conte, Raquel Furtado
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O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem como tema a psicose e suas possíveis relações com a transmissão psíquica, especificamente na relação mãe-filha. A pesquisa se desenvolve sob a perspectiva psicanalítica, buscando compreender de que modo a fragmentação da personalidade observada na psicose pode estar vinculada aos efeitos da transmissão psíquica transgeracional. O objetivo geral consistiu em discutir as possíveis relações entre esses fenômenos; para isso, os objetivos específicos foram: caracterizar a psicose, conceituar a transmissão psíquica transgeracional sob a ótica da psicanálise e apresentar a relação mãe-filha com base nos fundamentos da teoria psicanalítica. A revisão da literatura abrangeu autores clássicos da psicanálise, como Freud e Lacan, e autores contemporâneos, como Kaës, Abraham e Torok, dedicados ao estudo da transmissão psíquica e das dinâmicas familiares. O método adotado foi qualitativo, com delineamento teórico-bibliográfico e análise de artefato cultural, de caráter exploratório, tendo como objeto o filme Cisne Negro (2010), de Darren Aronofsky. Na discussão, a primeira categoria abordou a relação simbiótica e o vínculo materno, evidenciando uma dinâmica fusional e invasiva que impede a separação simbólica e mantém a filha em posição infantilizada. Em seguida, analisou-se a fragmentação da personalidade na psicose, compreendida como resultado da falha na simbolização da falta e da ausência da função paterna, o que conduz à perda de ancoragem do Eu e à dissolução dos limites entre realidade e delírio. Por fim, discutiu-se a transmissão psíquica, revelando como os desejos, frustrações e ideais não elaborados de uma geração podem ser depositados na seguinte, transformando-se em mandatos inconscientes que aprisionam o sujeito à história familiar. As considerações finais indicam que a relação entre mãe e filha, quando permeada pela invasão e pela ausência de um terceiro mediador, favorece a perpetuação de conteúdos não simbolizados que comprometem a constituição subjetiva. Assim, compreende-se que a transmissão psíquica, ao operar de forma intrusiva e sem elaboração, pode reduzir o psiquismo à fragmentação, na medida em que o sujeito é tomado como depositário de uma herança psíquica que o impede de construir uma identidade própria. O estudo contribui, portanto, para ampliar a compreensão dos efeitos da transmissão transgeracional na estruturação do Eu e para refletir sobre as possibilidades de elaboração simbólica dessas heranças no campo clínico e teórico da psicanálise. [resumo fornecido pelo autor]
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- Psicologia - Bacharelado [304]
