Relações neuropsicofisiológicas entre estresse e síndrome do intestino irritável
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Date
2025-12-12Author
Rapkiewicz, Douglas
Orientador
Lhullier, Cristina
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A síndrome do intestino irritável (SII) constitui um dos distúrbios gastrointestinais mais prevalentes e complexos, caracterizado pela interação entre fatores fisiológicos, psicológicos e sociais. A literatura científica, amparada pelos critérios diagnósticos de Roma IV, reformula o entendimento da SII como um distúrbio de interação intestino-cérebro (DGBI), em que o estresse desempenha papel modulador da motilidade intestinal, da hipersensibilidade visceral e da atividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). Este trabalho tem como objetivo geral descrever possíveis relações neuropsicofisiológicas entre a resposta ao estresse e os sintomas da SII. Os objetivos específicos são: caracterizar a SII como um distúrbio do eixo cérebro-intestino, identificando manifestações clínicas e impactos psicossociais; descrever os processos neuropsicofisiológicos envolvidos na resposta ao estresse; e descrever práticas e estratégias clínicas adotadas no manejo da SII, com ênfase na terapia cognitivo comportamental (TCC). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, com fontes provenientes de 43 artigos publicados entre 2014 e 2024, indexados na base de dados PubMed. Como instrumentos, foram elaboradas fichas de leitura. Para a análise dos dados coletados, realizou-se uma síntese integradora. Os resultados organizam-se em três eixos: Caracterização da Síndrome do Intestino Irritável, Estresse e Síndrome do Intestino Irritável, e Terapia Cognitivo Comportamental e Síndrome do Intestino Irritável. A síntese integradora indicou os marcadores biológicos da resposta ao estresse, a presença de inflamação de baixo grau e o aumento da permeabilidade intestinal nas pessoas com SII, bem como os indicadores autonômicos e os sintomas gastrointestinais associados à síndrome. A análise dos perfis de microbiota, aliados às comorbidades, como ansiedade e hipervigilância, e aos moderadores clínicos, como sexo, idade e subtipo de SII, colaboram para uma compreensão mais integral deste adoecimento. Também foram descritos os tipos de intervenção em TCC utilizadas na terapêutica da SII e a análise de eficácia, durabilidade e custo-efetividade destas. As considerações finais enfatizam a integração dos processos biológicos e psicológicos do estresse no trato gastrointestinal, a caracterização da SII como fenômeno biopsicossocial e a relevância das estratégias terapêuticas cognitivo-comportamentais no tratamento integral da SII. Dessa forma, o trabalho pretendeu oferecer uma compreensão de interfaces entre estresse, mecanismos neuropsicofisiológicos e manifestação sintomatológica interdisciplinar sobre as interações entre estresse, eixo cérebro-intestino e manejo psicológico da SII. [resumo fornecido pelo autor]
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- Psicologia - Bacharelado [314]
