Sofrimento ético-político e dialética inclusão/exclusão nas vivências de bolsistas PROUNI
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Data
2024-12-11Autor
Monteiro, Giovana
Orientador
Cristina, Lhullier
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Este trabalho enfoca a trajetória acadêmica de estudantes ingressantes no ensino superior por meio do ProUni em uma perspectiva que alia a psicologia social brasileira e a dialogicidade do discurso. O objetivo geral é descrever possíveis relações entre o sofrimento ético-político e a dialética de inclusão e exclusão nas vivências de estudantes universitários bolsistas ProUni na perspectiva da psicologia social brasileira. Os objetivos específicos incluem: apresentar a dinâmica da dialética de inclusão e exclusão na perspectiva da psicologia social latino-americana; conceituar o sofrimento ético-político na perspectiva da psicologia social brasileira; e caracterizar o programa ProUni, identificando suas repercussões psicossociais e educacionais no contexto brasileiro. A revisão da literatura estruturou-se com o intuito de responder os objetivos específicos propostos. A pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, utilizou como fontes as publicações do blog Coletivo Da Ponte Pra Cá, que documenta as experiências dos bolsistas ProUni da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). As sequências discursivas
selecionadas foram organizadas em uma tabela e interpretadas pela análise crítica do discurso de Mikhail Bakhtin. Os resultados e a discussão organizam-se em três eixos temáticos: Para Além da Sala de Aula, Vozes Discrepantes: O ProUni e a Tensão Entre Mercado e Inclusão e O Significado de Ser Prounista. Os achados apontam para tensões entre as promessas institucionais de inclusão e as realidades de exclusão, que se manifestam em níveis materiais e simbólicos, gerando impactos afetivos e subjetivos nos estudantes. Essas tensões emergem na universidade, mas não se originam nela, pois refletem e refratam a estrutura sociopolítica e cultural vigente. As experiências relatadas pelos bolsistas indicam uma dialética em que são incluídos no sistema educacional, mas marginalizados no ambiente universitário. Os relatos apontam discriminação, insegurança e dificuldades econômicas, materializando o conceito de sofrimento ético-político, que relaciona a exclusão social à perda de potência e autonomia dos sujeitos. Conclui-se que a inclusão efetiva exige não apenas o acesso ao ensino superior, mas também a garantia de permanência, considerando as dimensões afetiva e subjetiva na formulação de políticas de inclusão. Em uma perspectiva materialista dialética, o trabalho propõe reflexões sobre o papel do psicólogo em ações que promovam justiça social, destacando a importância de intervenções que considerem tanto as condições estruturais que afetam a trajetória dos
estudantes quanto os impactos subjetivos dessas desigualdades. Sugere-se, assim, estratégias que superem o caráter compensatório das políticas de inclusão integrando estratégias que favoreçam o protagonismo e a autonomia dos sujeitos no contexto educacional. [resumo fornecido pelo autor]
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