Análise da viabilidade econômica da migração para o mercado livre de energia aplicada a consumidores de baixa tensão residenciais, comerciais e industriais
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2026-07-02
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A modernização do setor elétrico brasileiro tem impulsionado discussões sobre a ampliação do Mercado Livre de Energia para consumidores de baixa tensão, atualmente atendidos predominantemente pelo Ambiente de Contratação Regulada (ACR). Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo analisar a viabilidade econômica da migração de consumidores residenciais, comerciais e industriais de pequeno porte para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), considerando aspectos regulatórios e econômicos. Para isso, foi realizada uma revisão da estrutura do setor elétrico brasileiro, da evolução do mercado livre de energia e das experiências internacionais de liberalização adotadas em países como Japão, Itália, Estados Unidos e Portugal. Com base nessas referências, foi desenvolvido um simulador computacional baseado no modelo disponibilizado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), adaptado às condições tarifárias, tributárias e regulatórias do Brasil. O modelo permitiu comparar os custos de fornecimento de energia entre os ambientes regulado e livre em diferentes cenários de consumo, encargos setoriais, bandeiras tarifárias e investimentos necessários para migração. Os resultados indicaram que a viabilidade econômica da migração depende fortemente do perfil de consumo, do comportamento dos encargos setoriais, dos custos de comercialização e das condições de contratação da energia. Em cenários favoráveis, observou-se potencial de redução nos custos de energia variando entre 1,2% e 21,1%, com economia mensal de até R$ 48,15 no cenário mais favorável analisado, equivalente a R$ 577,77 por ano, com tempos de retorno do investimento entre aproximadamente 5,3 e 10,2 anos, demonstrando que a viabilidade econômica da migração depende diretamente das condições tarifárias, dos encargos setoriais e do perfil de consumo analisado. Entretanto, os benefícios não se mostraram uniformes para todos os perfis analisados, evidenciando a necessidade de mecanismos regulatórios adequados, transparência na formação dos preços e ferramentas de apoio à decisão. Conclui-se que a abertura do mercado livre para consumidores de baixa tensão pode representar uma alternativa economicamente viável em determinados contextos, desde que acompanhada por uma estrutura regulatória robusta, adequada informação ao consumidor e condições de mercado que favoreçam a competitividade. [resumo fornecido pelo autor]
Resumo
The modernization of the Brazilian electricity sector has spurred discussions regarding the expansion of the Free Energy Market to low-voltage consumers, who are currently served predominantly by the Regulated Contracting Environment (ACR). In this context, this study aimed to analyze the economic feasibility of migrating residential, commercial, and small-scale industrial consumers to the Free Contracting Environment (ACL), taking into account regulatory and economic aspects. To this end, a review was conducted of the Brazilian electricity sector's structure, the evolution of the free energy market, and international liberalization experiences in countries such as Japan, Italy, the United States, and Portugal. Based on these references, a computer simulation model was developed?adapted from the model provided by the Energy Services Regulatory Authority (ERSE) to suit Brazil's tariff, tax, and regulatory conditions. The model enabled a comparison of energy supply costs between the regulated and free environments across various scenarios involving consumption levels, sector charges, tariff flags, and the investments required for migration. The results indicated that the economic feasibility of migration depends heavily on the consumption profile, the behavior of sector charges, commercialization costs, and energy contracting conditions. In favorable scenarios, a potential reduction in energy costs ranging from 1.2% to 21.1% was observed, with monthly savings of up to R$ 48.15 in the most favorable scenario analyzed-equivalent to R$ 577.77 per year-and investment payback periods ranging from approximately 5.3 to 10.2 years; this demonstrates that the economic feasibility of migration depends directly on tariff conditions, sector charges, and the specific consumption profile analyzed. However, the benefits were not uniform across all analyzed profiles, highlighting the need for appropriate regulatory mechanisms, price-formation transparency, and decision-support tools. It is concluded that opening the free market to lowvoltage consumers can represent an economically viable alternative in certain contexts, provided it is accompanied by a robust regulatory framework, adequate consumer information, and market conditions that foster competitiveness. [resumo fornecido pelo autor]
