Contribuições da arte na subjetivação de jovens em medidas socioeducativas

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2026-06-26

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No contexto brasileiro, o cumprimento de medidas socioeducativas apresenta contradições entre proposta pedagógica, lógicas punitivas e permanência da estigmatização. Este trabalho de conclusão de curso insere-se no campo da psicologia política, articulando juventudes, institucionalização e produção de subjetividades. Como objetivo geral, procura descrever possíveis contribuições das expressões artísticas no processo de subjetivação de jovens que cumprem medidas socioeducativas na perspectiva da psicologia política. Como objetivos específicos, busca caracterizar expressões artísticas na perspectiva das intervenções em psicologia em contextos institucionais; apresentar o conceito de processo de subjetivação na perspectiva da psicologia política; e elaborar um breve panorama da realidade de jovens que cumprem medidas socioeducativas no contexto brasileiro. A revisão da literatura articula conceitos de modo a responder aos objetivos específicos propostos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e interpretativa, desenvolvida a partir da análise de cinco dissertações de mestrado, publicadas entre 2017 e 2020, localizadas nas plataformas Scientific Electronic Library Online, Portal de Periódicos da CAPES e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. As informações foram organizadas em ficha de documentação analítica, contemplando expressões artísticas, processos de subjetivação, relações de poder e efeitos da arte como contradispositivo. Utilizou-se a análise foucaultiana do discurso como forma de identificar as formações discursivas, evidenciando efeitos de poder, estratégias de normalização e possibilidades de resistência por meio das expressões artísticas. Os resultados indicam que as expressões artísticas atuam como mediadoras dos processos de subjetivação, à medida que fomentam a elaboração simbólica de experiências, a construção de sentidos sobre si e a ressignificação de trajetórias impactadas por vulnerabilidades e exclusão. As expressões artísticas analisadas mostraram potencial para ampliar espaços de expressão, reconhecimento e reflexão crítica, de maneira a criar possibilidades de questionamento, por parte dos jovens, de identidades socialmente cristalizadas e que esses experimentassem outras formas de pertencimento e projeção de futuro. A análise também permitiu identificar diferentes posições-sujeito ocupadas pelos jovens ao longo dos processos de subjetivação, cujos movimentos transitam entre formas de assujeitamento marcados pela internalização de discursos de exclusão e criminalização, posicionamentos reflexivos acerca das próprias trajetórias, hierarquização de poder e construção de práticas de resistência voltadas à transformação de suas perspectivas de vida. Nesse contexto, a arte favorece a emergência de movimentos de resistência e reinvenção subjetiva, mesmo diante de instituições atravessadas por normas disciplinares, de preconceitos e de relações desiguais de poder. Os resultados apontam que a arte pode constituir contradispositivos nos contextos socioeducativos. Também reforçam a relevância da incorporação de práticas artísticas nas intervenções socioeducativas e psicológicas, bem como evidenciam a necessidade de novas investigações que aprofundem as relações entre arte, subjetivação e psicologia política em contextos de medidas socioeducativas. [resumo fornecido pelo autor]

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