A ousadia de cursar engenharia: o reconhecimento dos direitos à existência e à educação de dissidentes sexuais e de gênero no IFRS

dc.contributor.advisorStecanela, Nilda
dc.contributor.authorPizzoli, Maria de Fátima Fagherazzi
dc.contributor.otherGuilherme, Alexandre Anselmo
dc.contributor.otherSilva, Andréa Wahlbrink Padilha da
dc.contributor.otherRela, Eliana
dc.contributor.otherPassamani, Guilherme Rodrigues
dc.date.accessioned2026-04-14T14:13:28Z
dc.date.issued2026-04-10
dc.date.submitted2026-03-13
dc.descriptionApresenta-se pesquisa de doutorado realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul, sob o tema gênero e sexualidade na educação superior. O objetivo geral foi investigar se a formação em engenharia do IFRS contempla processos de humanização na experiência acadêmica, proporcionando o acolhimento às diferenças sexuais e de gênero, reconhecendo direitos à existência e à educação de pessoas dissidentes sexuais e de gênero (DSG), contribuindo para a diminuição de preconceitos e discriminações no contexto universitário e fora dele, em especial nas organizações de trabalho. Configuraram objetivos específicos: analisar como se estabelecem as relações de gênero e sexualidade no ambiente de sala de aula e no campus, na percepção de docentes, estudantes e coordenações de curso; examinar a formação pedagógica de docentes que atuam nos cursos de engenharia; identificar nos projetos pedagógicos dos cursos de engenharia do IFRS, as diretrizes para uma formação humanizadora; investigar como ocorre a interlocução entre docentes, estudantes, e coordenações dos cursos de engenharia com os núcleos de ações afirmativas e/ou projetos de ensino, pesquisa e extensão em cada campus; discutir a práxis docente necessária para a formação de cidadãs e cidadãos que se tornem profissionais e lideranças que possam atuar como agentes de transformação do contexto sócio-organizacional cisheteronormativo. Caracteriza-se como estudo de caso, realizado no contexto dos cursos de engenharia do IFRS na Serra Gaúcha. A pesquisa, de método misto, envolveu sete etapas: análise histórica do movimento LGBTQIA+ brasileiro; levantamento dos marcos legais conquistados por DSG no Brasil; realização de Estado do Conhecimento; análise dos Projetos Pedagógicos dos cursos; aplicação de questionários on-line a docentes e estudantes; entrevistas com as coordenações dos cursos; grupos focais com estudantes e docentes. Os dados foram construídos a partir de fontes documentais, bibliográficas e levantamentos de campo. Os dados quantitativos passaram por análise estatística e os dados qualitativos por análise documental, análise de conteúdo e análise textual discursiva (ATD). Concluiu-se que as relações de gênero e sexualidade nos cursos analisados ocorrem a partir da cisheteronormatividade. DSG vivem sua formação em engenharia, a partir da pedagogia do armário, segundo o que se estabelece como um jeito de ser estudante de engenharia na Serra Gaúcha, predominantemente masculino, cisgênero, heterossexual, cristão, sério, pouco sociável, permeado pela cultura de trabalho e de aula, para movimentar a engrenagem social do sistema capitalista que, em seu modelo neoliberal requer que as pessoas sejam "empreendedoras de si?" Para exercerem seu direito à educação no curso de engenharia sua vida dissidente se revela em círculos restritos ou permanece no anonimato. Algumas DSG sequer chegam ao curso e ao mercado de trabalho de engenharia. O corpo docente do curso, em maioria doutores, com formação inicial nas ciências exatas e engenharias, buscou formação pedagógica; porém parte manifestou dificuldades/despreparo para abordar o tema. A formação humanizadora está proposta em disciplinas introdutórias e que tratam de temas transversais; projetos integradores e de extensão, além da sugestão de interlocução com os núcleos de ações afirmativas. O aproveitamento de tais possibilidades dependerá do interesse e iniciativa pessoal de docentes e estudantes. A participação de docentes e discentes nos núcleos de ações afirmativas e projetos de ensino, pesquisa e extensão é mínima, seja pelo desconhecimento, pouca divulgação, incompatibilidade de horários, ou pela baixa atratividade do valor de auxílio bolsa. De forma geral, conclui-se que os processos de humanização precisam ser assumidos e concretizados de forma geral e não pontualmente nos cursos analisados. Embora interlocutoras e interlocutores empíricos tenham expressado que seus cursos/campi sejam espaços acolhedores às DSG, e mais acolhedores do que outras universidades e empresas onde trabalham, o jeito de ser estudante de engenharia identificado evidencia a engenharia como um curso cisheteronormativo, para iguais, não para dissidentes. Com vistas a contribuir significativamente para diminuir preconceitos e discriminações no ambiente acadêmico e fora dele, torna-se imprescindível investir na práxis dialógica, na formação docente e na disponibilização das estruturas para o perfil de trabalhadoras/es estudantes. Apresenta-se como tese que a quem, como dissidente sexual e de gênero, ousa perseguir o sonho de tornar-se engenheira/engenheiro, o reconhecimento do direito à educação superior ainda se dará às custas de ocultar a quem dirige seus afetos e/ou como sente e define sua identidade de gênero. [resumo fornecido pelo autor]pt_BR
dc.description.abstractPhD research conducted at the Universidade de Caxias do Sul Post-Graduate Education Program, under the topic of gender and sexuality in higher education, is presented. The overall objective was to investigate whether the IFRS engineering training contemplates humanization processes in academic experience, providing for welcoming sex and gender differences, recognizing rights to the existence and education of sex and gender dissenters (DSG), contributing to the reduction of prejudices and discriminations in the university context and outside of it, especially in work organizations. Specific objectives set are: to analyze how gender and sexuality relationships are established in the classroom environment and at campus, in the perception of faculty, students and course coordinations; to examine the educational training of teachers who work in engineering courses; to identify in the pedagogical projects of the IFRS engineering courses the guidelines for humanizing training; to investigate how the interlocution between faculty, students, and coordinations of engineering courses occurs with affirmative action centers and/or teaching, research and extension projects at each campus; to discuss the faculty praxis necessary for the formation of citizens who become professionals and leaders who can act as transformation agents of the cisheteronormative socio-organizational context. This is characterized as a case study, carried out in the context of the IFRS engineering courses in Serra Gaúcha. The mixed-method research involved seven steps: historical analysis of the Brazilian LGBTQIA+ movement; survey of the legal milestones achieved by DSG in Brazil; realization of Knowledge Status; analysis of the Educational Projects of the courses; Application of online questionnaires to faculty and students interviews with course coordinators; focus groups with students and faculty. The data were built from documentary, bibliographical and field survey sources. Quantitative data were statistically analyzed and qualitative data were submitted to documentary analysis, content analysis, and textual discursive analysis (TDA). It was concluded that gender and sexuality relationships in the courses analyzed occur from cystheteronormativity. DSG live their engineering training, based on the pedagogy of the closet, according to what is established as a way of being an engineering student in Serra Gaúcha, predominantly male, cisgender, heterosexual, christian, serious, unsociable, permeated by the work and school culture, to move the social gear of the capitalist system that, in its neoliberal model, requires people to be ?entrepreneurs of themselves?. In order to exercise their right to education in the engineering course, their dissenting life is revealed in restricted circles or remains anonymous. Some DSGs don?t even get to the course and the engineering job market. The course faculty, mostly doctors, with initial training in exact sciences and engineering, sought educational training; but part expressed difficulties/unpreparedness to address the topic. Humanizing education is proposed in introductory disciplines that address transversal topics; integrating and extension projects, in addition to the suggestion of interlocution with the affirmative action cores. Taking profit of such possibilities will depend on the personal interest and initiative of faculty and students. The participation of faculty and students in the affirmative action iniciatives and teaching, research and extension projects is minimal, either due to lack of knowledge, little disclosure, incompatibility of schedules, or the low attractiveness of the grant amount offered to them. In general, it is concluded that humanizing processes need to be taken over and implemented in general and not precisely in the courses analyzed. Although empirical interlocutors have expressed that their courses /campi are welcoming spaces for the DSG, and more welcoming than in other universities and companies where they work, the way of being an identified engineering student shows engineering as a cisheteronormative course, for equals, not for dissenters. With a view to contributing significantly to reducing prejudices and discrimination in and outside the academic environment, it is essential to invest in dialogical praxis, in teaching and in the provision of structures for the profile of workers/students. It is presented as a thesis that those who, as a sexual and gender dissident, dare to pursue the dream of becoming an engineer, the recognition of the right to higher education will still occur at the expense of concealing to those who direct their affections and/or how they feel and define their gender identity. [resumo fornecido pelo autor]en
dc.identifier.citationPizzoli, Maria de Fátima Fagherazzi
dc.identifier.urihttps://repositorio.ucs.br/11338/15476
dc.language.isopt
dc.language.isoen
dc.subjectEnsino superior - Rio Grande do Sul pt_BR
dc.subjectEngenharia - Formação pt_BR
dc.subjectIdentidade de gênero na educação pt_BR
dc.subjectMinorias sexuais e de gênero pt_BR
dc.subjectDireito à educação pt_BR
dc.subjectEngineering - Training ofen
dc.subjectGender identity in educationen
dc.subjectSexual minoritiesen
dc.subjectRight to educationen
dc.subjectHigher education - Rio Grande do Sul (Brazil)en
dc.titleA ousadia de cursar engenharia: o reconhecimento dos direitos à existência e à educação de dissidentes sexuais e de gênero no IFRS
dc.typeTese
mtd2-br.advisor.instituationUniversidade de Caxias do Sul
mtd2-br.advisor.latteshttp://lattes.cnpq.br/8404479044782223
mtd2-br.author.lattesPIZZOLI, Maria de Fátima Fagherazzi
mtd2-br.campusCampus Universitário de Caxias do Sul
mtd2-br.program.nameDoutorado em Educação

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