Relacionamentos heterossexuais abusivos: uma compreensão a partir da teoria queer

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2019

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Há uma crescente conscientização sobre o abuso nos relacionamentos heterossexuais, com o consecutivo aumento de denúncias referentes à violência nessas relações. A teoria queer possui como pauta o questionamento do binarismo de gênero e das normas e leis elaboradas com base na estrutura social decorrente desse posicionamento. O objetivo geral do trabalho é descrever as possíveis contribuições da teoria queer para a compreensão dos relacionamentos heterossexuais abusivos. Para isso, os objetivos específicos compreendem apresentar os conceitos principais da teoria queer, com ênfase nos construtos de gênero, e caracterizar relacionamentos heterossexuais abusivos a partir dos estudos de gênero da psicologia. Foi realizada uma pesquisa de delineamento qualitativo empírico com caráter exploratório e interpretativo. Utilizou-se 15 músicas do gênero sertanejo universitário, identificadas como as mais ouvidas do ano 2018 na plataforma Spotify. Como instrumento foi desenvolvida uma tabela com os tópicos: descrição dos relacionamentos heterossexuais; identificação dos comportamentos desejáveis ou indesejáveis em ambos os gêneros; características atribuídas aos gêneros; apresentação dos gêneros em relação ao gênero oposto; popularidade em qual segmento musical e número de reproduções. No referencial de análise utilizou-se a análise de conteúdo de Laville e Dionne. Os resultados foram dispostos em três categorias: Gesto Performativo, Binarismo e Manifestações do Abuso nos Relacionamentos. A teoria queer mostrou-se útil na compreensão das dinâmicas relacionais apresentadas nos artefatos culturais analisados. Pode-se observar regulações normativas referentes a performance do masculino e feminino, exigidas socialmente. Bem como a oposição dos dois gêneros nos relacionamentos identificados, fator apontado como um efeito do binarismo. É percebido que o masculino dá pauta para a performance e para as normas, sendo identificado como dominante e referência destas. É também observado uma naturalização das relações desiguais de poder em relacionamentos afetivos-sexuais, em que estas são apresentadas como desejáveis em um relacionamento heterossexual. A teoria queer é vista como contribuinte para colocar a psicologia em uma posição de atenção as produções culturais como efeitos de normatização. Identifica-se a importância da teoria queer para problematizar o objeto de estudo da psicologia. Assim como forma desta estar consciente sobre as formas sutis e veladas que o abuso pode tomar. Além da possibilidade de elaboração de estratégias de intervenção para além dos processos de subjetivação presentes (sic).

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