Metacognição e autorregulação no desenvolvimento da autonomia: um estudo envolvendo estudantes de física do ensino médio
Carregando...
Data de Submissão
Data de Defesa
2026-04-13
Edição
Autores
Orientadores
Coorientadores
Editores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Descrição
Esta pesquisa se propôs a investigar de que modos processos de metacognição e autorregulação podem promover o desenvolvimento da autonomia em estudantes de Física do Ensino Médio de uma escola estadual do Rio Grande do Sul. Inserido no contexto das demandas contemporâneas por maior protagonismo discente, o estudo parte da constatação de que o ensino de Física ainda se encontra fortemente marcado por uma abordagem procedimental de resolução de exercícios descontextualizados e por uma cultura avaliativa classificatória, que tende a restringir a aprendizagem à reprodução de conteúdo. O referencial teórico articula os conceitos de metacognição, autorregulação e autonomia a partir da perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, especialmente nos conceitos de mediação e internalização, em diálogo com a concepção de autonomia na pedagogia freiriana. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso único constituído por uma oficina pedagógica estruturada em processos metacognitivos e autorregulatórios, realizada com estudantes do primeiro ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. A produção do corpus envolveu registros escritos dos estudantes, questionário proposto em três momentos diferentes da oficina e observações do professor-pesquisador. O corpus foi analisado a partir da Análise Textual Discursiva de Moraes e Galiazzi (2011). As categorias identificadas foram: "Não prestei atenção, estava copiando", "Não consegui, não entendi" e "Se não aprendo de um jeito, vai de outro" As emergências que surgiram da análise do corpus nos permitem inferir que a incorporação sistemática de práticas metacognitivas no Ensino de Física pode tensionar a tradição conteudista e classificatória, favorecendo a construção da autonomia como processo de internalização dos processos metacognitivos e autorregulatórios que possibilitam a mobilização crítica do estudante na transformação de sua realidade. Como desdobramentos, aponta-se a necessidade de ampliar investigações em diferentes contextos escolares que aprofundem a compreensão dos processos de construção da autonomia, especialmente em sua articulação com dimensões institucionais e emocionais da aprendizagem a partir de uma abordagem teórica de base sistêmica. Indica-se, ainda, a importância de inserir tais discussões na formação continuada de professores e de intensificar o debate sobre avaliação escolar em uma perspectiva formativa, considerando seu papel estruturante no desenvolvimento da autonomia estudantil. [resumo fornecido pelo autor]
Resumo
This study investigated the ways in which metacognitive and self-regulatory processes can promote the development of autonomy among high school Physics students in a state public school in Rio Grande do Sul, Brazil. Situated within contemporary demands for greater student protagonism, the research is grounded in the observation that Physics teaching remains largely characterized by a procedural approach centered on solving decontextualized exercises and by a classificatory assessment culture that tends to limit learning to the reproduction of content. The theoretical framework articulates the concepts of metacognition, self-regulation, and autonomy from Vygotsky's historical-cultural perspective -particularly the notions of mediation and internalization?in dialogue with the Freirean conception of autonomy. This qualitative study was conducted as a single case study consisting of a pedagogical workshop structured around metacognitive and self-regulatory processes, implemented with first-year high school students in a public state school in Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. The corpus included students' written records, a questionnaire administered at three different stages of the workshop, and observations by the teacher-researcher. Data were analyzed using Discursive Textual Analysis (Moraes & Galiazzi, 2011). The categories identified were: "I didn't pay attention, I was copying", "I couldn't do it, I didn't understand" and "If I don't learn one way, I try another'. The phenomena emerging from the analysis suggest that the systematic incorporation of metacognitive practices in Physics teaching can challenge content-centered and classificatory traditions, fostering the construction of autonomy as a process of internalizing metacognitive and self-regulatory practices that enable students to critically mobilize knowledge in transforming their reality. The study highlights the need for further research in diverse school contexts to deepen the understanding of autonomy construction, particularly in relation to institutional and emotional dimensions of learning from a systemic theoretical approach. It also underscores the importance of incorporating these discussions into continuing teacher education and of strengthening debates on school assessment from a formative perspective, given its structuring role in the development of student autonomy. [resumo fornecido pelo autor]
