Dissonância cognitiva, consumo e endividamento na adultez jovem: uma revisão integrativa da literatura
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2026-07-06
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O endividamento tem se consolidado como um fenômeno de crescente impacto econômico, social e psicológico, especialmente entre adultos jovens inseridos em contextos marcados pela ampliação do consumo e pela valorização do desempenho individual. Nesse cenário, a teoria da dissonância cognitiva apresenta-se como ferramenta relevante na compreensão dos processos subjetivos que sustentam comportamentos financeiros incompatíveis com a realidade econômica dos indivíduos. Diante disso, este estudo buscou compreender como a teoria da dissonância cognitiva pode contribuir para a análise das discrepâncias entre estilo de vida e realidade financeira na adultez jovem contemporânea. O objetivo geral consistiu em discutir possíveis discrepâncias entre o estilo de vida do adulto jovem e sua realidade financeira a partir da teoria da dissonância cognitiva; para tanto, foram estabelecidos como objetivos específicos: apresentar a teoria da dissonância cognitiva de Leon Festinger; caracterizar o adulto jovem contemporâneo; e caracterizar o estilo de vida na atualidade a partir da perspectiva do neoliberalismo. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter qualitativo e exploratório. A busca foi realizada no Portal de Periódicos CAPES, contemplando publicações entre 2020 e 2025. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 12 estudos para análise. Os resultados indicaram que a dissonância cognitiva opera como mecanismo psicológico de redução do desconforto gerado pela incompatibilidade entre desejos de consumo e limitações financeiras, manifestando-se por meio de estratégias como racionalização, desacoplamento moral e minimização das consequências econômicas. Verificou-se ainda que a adultez jovem constitui um período de maior vulnerabilidade econômica e identitária, no qual o consumo assume funções simbólicas relacionadas ao pertencimento social, construção da autoimagem e à busca de reconhecimento. Os estudos também apontaram que a lógica neoliberal contemporânea, ao impor ideais de desempenho, autonomia e sucesso individual, contribui para a manutenção de práticas de consumo incompatíveis com as condições econômicas reais dos sujeitos, intensificando experiências de sofrimento psíquico, como culpa, vergonha, ansiedade e sensação de fracasso, frequentemente silenciadas e individualizadas. Conclui-se que a teoria da dissonância cognitiva oferece importante contribuição para a compreensão dos processos subjetivos envolvidos no endividamento contemporâneo, evidenciando que as decisões financeiras são influenciadas não apenas por fatores econômicos, mas também por aspectos emocionais, identitários e socioculturais. Os achados reforçam a necessidade de ampliação das pesquisas psicológicas sobre o tema, especialmente no contexto brasileiro, com maior investimento em metodologias qualitativas capazes de captar as experiências subjetivas associadas ao endividamento e ao consumo na adultez jovem. [resumo fornecido pelo autor]
