Criatividade e tendência antissocial: um olhar winnicottiano
Carregando...
Data de Submissão
Data de Defesa
2026-06-26
Edição
Autores
Orientadores
Coorientadores
Editores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Descrição
O presente trabalho teve como objetivo identificar possíveis contribuições da teoria winnicottiana acerca da criatividade em crianças e adolescentes que apresentam tendência antissocial. Para tal, amparou-se na teoria de Donald Winnicott acerca do amadurecimento pessoal, abordando os principais fenômenos do desenvolvimento psíquico. Além disso, considerou-se necessário discutir criatividade, focando conceitos como fenômenos transicionais, espaço potencial e experiência cultural, bem como descrever a tendência antissocial na perspectiva winnicottiana. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, exploratória e interpretativa, utilizando como fonte de análise o filme Os Incompreendidos (Moussy, Morin & Truffaut, 1959), dirigido por François Truffaut, articulando os pressupostos teóricos às vivências do personagem Antoine Doinel. A análise de conteúdo de Laville e Dionne foi escolhida como referencial de análise, sendo definidas categorias a posteriori e utilizada a estratégia de emparelhamento para articular os pressupostos teóricos com as cenas selecionadas. A partir do material escolhido, foram delimitadas categorias relacionadas ao personagem em análise quanto à 1) Relação com cuidadores; 2) Tendência antissocial; 3) Criatividade. Os resultados e a discussão permitiram compreender que manifestações frequentemente associadas à tendência antissocial, como roubos, mentiras e fugas podem adquirir novos sentidos quando inseridas no percurso do amadurecimento do sujeito, possibilitando compreendê-las como expressões relacionadas à deprivação, à esperança e à busca por experiências ambientais confiáveis. Foi possível identificar contribuições da teoria winnicottiana para a compreensão da criatividade e tendência antissocial em crianças e adolescentes, possibilitando pensar que manifestações antissociais podem ser também tentativas de preservação da espontaneidade, da continuidade do self e do viver criativo. Compreendeu-se ainda, que a criatividade, para desenvolver-se, depende de um ambiente facilitador e de experiências iniciais de confiança, capazes de favorecer a ampliação do espaço potencial, possibilitando ao sujeito brincar, criar e relacionar-se com a cultura ao longo da vida. Ademais, considera-se que ampliar as formas de compreensão desses fenômenos pode contribuir para práticas profissionais que articulem a singularidade, o desenvolvimento emocional e as experiências ambientais do sujeito, compreendendo a importância da preservação de espaços para brincar, criar, experimentar e sustentar experiências espontâneas para a continuidade do amadurecimento emocional e para a possibilidade de viver uma vida sentida como real. [resumo fornecido pelo autor]
