Uso de telas e saúde mental de crianças e adolescentes na contemporaneidade: mediações sociais e implicações para o Serviço Social
Loading...
Submission Date
Defense Date
2026-06-17
Edition
Authors
Advisors
Co-Advisors
Editors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Description
O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem como temática o uso de telas e saúde mental de crianças e adolescentes na contemporaneidade, considerando as mediações sociais e suas implicações para o Serviço Social. Parte-se do seguinte problema de pesquisa: como o uso intensivo de telas se relaciona com a saúde mental de crianças e adolescentes, considerando as mediações familiares, institucionais, socioeconômicas, territoriais e sociotécnicas, e quais implicações esse fenômeno apresenta para o Serviço Social? O objetivo geral consiste em analisar criticamente a relação entre o uso intensivo de telas e a saúde mental de crianças e adolescentes, considerando suas mediações sociais e implicações para o Serviço Social. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, orientada pelo materialismo histórico-dialético. A análise fundamenta-se em produções teóricas do campo do Serviço Social e áreas afins, bem como em legislações, normativas e documentos institucionais relacionados à infância, adolescência, saúde mental e políticas públicas. Os resultados indicam que o uso de tecnologias digitais não pode ser compreendido como causa direta e isolada de sofrimento psíquico, tampouco como prática neutra ou homogênea, sendo atravessado por múltiplas mediações, especialmente familiares, institucionais e socioeconômicas, que condicionam tanto os riscos quanto as potencialidades dessas experiências. Seus efeitos dependem das condições concretas em que ocorre, dos sentidos atribuídos ao uso, da qualidade dos vínculos familiares, da presença ou ausência de acompanhamento adulto, do acesso a políticas públicas, das condições territoriais de convivência e das desigualdades socioeconômicas que atravessam a vida de crianças, adolescentes e famílias. Identificou-se que a mediação familiar é condicionada por fatores como precarização do trabalho, sobrecarga do cuidado, divisão sexual do trabalho e fragilidade e, em alguns contextos, ausência de redes de apoio, o que impede interpretações moralizantes ou culpabilizadoras das famílias. No âmbito institucional, evidenciou-se a importância da escola, da saúde, da assistência social e do sistema de garantia de direitos na identificação, acolhimento e encaminhamento de demandas relacionadas ao sofrimento psíquico infantojuvenil, bem como os riscos de respostas fragmentadas, medicalizantes ou individualizantes. Observa-se que fatores como desigualdade digital, condições de vida, organização familiar, acesso a políticas públicas e formas de sociabilidade influenciam diretamente os impactos na saúde mental infantojuvenil. Conclui-se que o uso de tecnologias digitais deve ser compreendido como fenômeno atravessado por expressões contemporâneas da questão social, exigindo do Serviço Social uma atuação crítica, intersetorial e comprometida com a proteção integral, a defesa de direitos e a superação de abordagens moralizantes e individualizantes. [resumo fornecido pelo autor]
Abstract
This undergraduate thesis addresses the use of digital technologies and the mental health of children and adolescents in contemporary society, considering social mediations and their implications for Social Work. The research is guided by the following question: how is intensive screen use related to the mental health of children and adolescents, considering family, institutional, socioeconomic, territorial, and sociotechnical mediations, and what implications does this phenomenon have for Social Work? The general objective is to critically analyze the relationship between intensive screen use and the mental health of children and adolescents, considering its social mediations and implications for Social Work. Methodologically, this is a qualitative study of bibliographic and documentary nature, grounded in the historical-dialectical materialist approach. The analysis is based on theoretical productions in the field of Social Work and related areas, as well as legislation, regulations, and institutional documents concerning childhood, adolescence, mental health, and public policies. The results indicate that the use of digital technologies cannot be understood as a direct and isolated cause of psychological distress, nor as a neutral or homogeneous practice, as it is permeated by multiple mediations, especially family, institutional, and socioeconomic ones, which shape both risks and potentialities. Its effects depend on concrete conditions of use, attributed meanings, the quality of family bonds, the presence or absence of adult supervision, access to public policies, territorial living conditions, and socioeconomic inequalities affecting children, adolescents, and their families. It was found that family mediation is conditioned by factors such as labor precarization, care overload, the sexual division of labor, and the fragility and, in some contexts, absence of support networks, which prevents moralizing or blaming interpretations of families. At the institutional level, the importance of education, health, social assistance, and the system for the protection of rights was highlighted in identifying, addressing, and referring demands related to children's and adolescents' psychological distress, as well as the risks of fragmented, medicalizing, or individualizing responses. It is observed that factors such as digital inequality, living conditions, family organization, access to public policies, and forms of social interaction directly influence impacts on children's and adolescents' mental health. It is concluded that the use of digital technologies should be understood as a phenomenon shaped by contemporary expressions of the social question, requiring from Social Work a critical, intersectoral practice committed to comprehensive protection, the defense of rights, and the overcoming of moralizing and individualizing approaches. [resumo fornecido pelo autor]
